Rick Riordan

Livros

Biografia

Rick Riordan nasceu em 1964 nos Estados Unidos, em San Antonio, Texas, e hoje vive em Boston com a esposa e os dois filhos. Autor best-seller do The New York Times, premiado pela YALSA e pela American Library Association, por quinze anos ensinou inglês e história em escolas de São Francisco, e é a essa experiência que ele atribui sua habilidade em escrever para o público jovem. Além das séries Percy Jackson e os olimpianos e Os heróis do Olimpo, inspiradas na mitologia greco-romana, Riordan assina a bem-sucedida série As crônicas dos Kane, que visita deuses e mitos do Egito Antigo e Magnus Chase e os deuses de Asgard, que aborda o universo da mitologia nórdica.

Entrevista com Rick

Foi uma decisão difícil. Amo lecionar e trabalhar com adolescentes. Por muitos anos, fui professor em período integral e escrevia um livro da minha série de mistério, Tres Navarre, por ano.

Quando vendi a série Percy Jackson e os olimpianos para a Disney Book Group, percebi que precisaria escrever dois livros por ano para cumprir meus prazos: um livro adulto e outro juvenil. Não acreditei que seria capaz de produzir nesse ritmo e fazer um bom trabalho em sala de aula, por isso tomei a difícil decisão de deixar o magistério.

A parte boa é que, como autor infantojuvenil, ainda trabalho com adolescentes. Tenho esperança de despertar o interesse de um número bem maior de jovens por mitologia através dos meus livros do que jamais fui capaz como professor.

Nós nunca falamos muito sobre esse assunto em sala de aula, mas a maioria estava ciente de que eu escrevia. Imagino que meus alunos achassem isso legal, mas eles tinham um monte de outras coisas com que se preocupar, já que estavam no ensino fundamental. Dever de casa, a pressão dos colegas, quem gostava de quem — tudo isso é mais importante do que a vida de um professor.

Eles diziam: “Nossa, você escreve? Posso ser um personagem?” E muitas vezes usei nomes de ex-alunos para os meus personagens, mas eles sempre ficavam surpresos com o tempo que levava até verem seus nomes impressos. Se conhecesse um aluno no ensino fundamental, ele ou ela provavelmente estaria no ensino médio quando o livro chegasse às livrarias.

Meu comentário favorito de um aluno foi quando eu passei um trabalho de cinco páginas, e ele revirou os olhos e disse: “Sr. Riordan, só porque você escreve livros não significa que a gente tenha que escrever também.” Eu ri, mas ele ainda teve que fazer o trabalho.

Mais uma história sobre os meus livros e meus alunos: quando comecei a escrever livros adultos de mistério, nunca me ocorreu que meus alunos do ensino fundamental iriam pedir para lê-los. Eu sempre dizia que não, que deviam esperar até ficarem um pouco mais velhos. Livros para adultos não são apropriados para os leitores mais jovens. Claro, muitos dos alunos encaravam isso como um desafio e iam para a livraria na mesma hora. Eu sempre sabia quando um deles tinha lido um dos meus livros da série Tres Navarre porque ele ou ela chegaria na aula com um brilho divertido no olhar e diria algo do tipo: “Nossa, Sr. Riordan, eu não sabia que você era tão rebelde.” Fico feliz por ter a série Percy Jackson e os olimpianos para recomendar aos adolescentes agora, então não sofro mais com esse dilema.

Meu filho Haley me pediu para lhe contar algumas histórias sobre os deuses e heróis gregos antes de dormir. Eu dei aula sobre mitos gregos por muitos anos para o ensino fundamental, então aceitei com todo o prazer. Quando acabaram-se os mitos, ele ficou desapontado e me perguntou se eu poderia criar uma história nova com os mesmos personagens.

Eu pensei sobre isso por alguns minutos. Então me lembrei de uma atividade de escrita criativa que eu costumava fazer com os meus alunos do sexto ano: eu pedia a eles para criarem o próprio herói semideus, filho ou filha do deus que preferissem, e então precisavam inventar uma aventura em estilo grego para esse herói. Na hora, inventei Percy Jackson e contei a Haley sobre sua missão para recuperar o raio-mestre de Zeus nos Estados Unidos contemporâneo. Demorou cerca de três noites para contar toda a história, e, quando terminei, Haley me disse que eu deveria contá-la em um livro.

Eu já tinha muita coisa para fazer, mas durante o ano seguinte, de alguma forma, encontrei tempo para escrever o primeiro livro da série Percy Jackson e os olimpianos. Eu realmente gostei de escrevê-lo. A história era tão divertida e diferente da minha ficção adulta que comecei a dedicar muito tempo a ela. Agora, fico muito feliz em ter feito isso!

Sim. Depois que li o manuscrito para o meu filho e ele disse que adorou, eu quis ter certeza de que crianças mais velhas também se interessariam — crianças da idade dos meus alunos do ensino fundamental. Escolhi alguns estudantes do sexto, sétimo e oitavo anos e perguntei se eles estariam dispostos a fazer um “test drive” do livro. Eu fiquei muito nervoso! Estava acostumado a mostrar o meu trabalho para adultos, mas não fazia ideia se os meus alunos iriam gostar de Percy. Então entendi como eles deviam se sentir ao entregar um trabalho para mim e ter que esperar para receber suas notas! Felizmente, eles gostaram. Também me deram algumas ótimas sugestões. Me ajudaram a escolher o melhor título para o livro. Também contribuíram com algumas boas ideias sobre como Percy agiria se tivesse TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade). Um aluno me ajudou a refinar o funcionamento da espada de Percy, Anaklusmos. Fico contente por ter mostrado a história para meus alunos primeiro. Afinal, ela é escrita para adolescentes.

Eu escrevi um monte de contos quando era mais jovem, e até mesmo mandei uns poucos para editoras (que foram rejeitados). Minha primeira carta de rejeição foi da Isaac Asimov Science Fiction Magazine, em 1978. Minha mãe a guardou por anos e me mostrou novamente depois que fui publicado. Eu nunca levei a escrita a sério na faculdade. Concentrei minha energia criativa na música, e, acredite se quiser, fui vocalista de uma banda de folk rock. Após a faculdade, virei professor, e estava muito feliz com a ideia de fazer isso pelo resto da vida. No entanto, lia um monte de livros de mistério no meu tempo livre. Quando minha esposa e eu nos mudamos para São Francisco, comecei a sentir saudades do Texas. Decidi, por impulso, que tentaria escrever um romance de detetive passado na minha cidade natal, San Antonio. Dez meses depois, Tequila Vermelha estava pronto. O estranho é que eu tinha a sensação de que Tequila Vermelha seria publicado. De alguma maneira, era diferente de tudo que eu já havia feito, porque a história tinha praticamente me obrigado a escrevê-la. A ideia me pegou de jeito e não me deixou em paz até o manuscrito estar pronto. Meu conselho a aspirantes a escritor é: você deve encontrar algo que PRECISA escrever. Quando encontrar, vai saber, porque o tema não vai deixá-lo em paz. Escrever só porque você quer ser publicado não é suficiente. Você precisa ser compelido a escrever. Se não for, nada mais que você fizer importa. Para mim, isso significou ficar longe de casa por um tempo e aprender a apreciar o que eu sabia, antes mesmo de conhecer o velho ditado: “Escreva sobre o que você conhece.” Com Percy Jackson e os olimpianos, tive a mesma sensação de quando escrevi Tequila Vermelha. Percy era um personagem que simplesmente insistia em ganhar vida.

O tempo que passei esperando para ter meus livros publicados foi bem breve se comparado a outros autores. Sou o primeiro a admitir que tive sorte. No entanto, o processo pelo qual passei é o mesmo de muitos escritores.

Quando concluí o manuscrito, fui atrás de agentes. Muitos disseram não. Uma disse sim. A única vantagem que eu tinha nessa fase era que uma professora de escrita criativa/autora de São Francisco tinha me auxiliado com o texto. Ela realmente me ajudou a deixar a história mais redonda, e, além disso, me deu permissão para usar seu nome em minhas cartas para as agências: “Fulana, autora de _____, sugeriu que eu procurasse sua agência.” Qualquer indicação é boa. Mesmo que o agente não conheça o(a) autor(a), sabe que alguém do meio aprovou seu trabalho. Por isso, acho que pode ser útil contratar alguém para editar seu original, se conhecer alguém competente em sua região. Um bom lugar para procurar editores freelancer seria por meio dos cursos de escrita criativa nas faculdades.

Depois que consegui uma agente, ela começou a tentar vender o manuscrito. Muitos editores disseram não, cada um por um motivo. Alguns adoraram a história, mas detestaram os personagens. Outros adoraram os personagens, mas não a história. Não parecia haver consenso. Por fim, recebemos uma oferta da Bantam Doubleday Dell, e a série foi publicada.

Eu terminei o original de Tequila Vermelha pouco antes do meu aniversário de trinta anos, em junho de 1994. O livro foi publicado em junho de 1997. Assim, da primeira carta até a publicação se passaram três anos. Cerca de um ano desses três foi depois de eu ter assinado o contrato e Bantam estar preparando o livro para publicação.

Comecei a escrever a sério no oitavo ano. Minha professora de inglês me encorajava a tentar publicar meus textos.

Eu me tornei professor de inglês do ensino fundamental em grande parte pela influência da Sra. Pabst, e amo ter a oportunidade de incentivar adolescentes a escreverem, assim como ela fez comigo. Essa é uma das razões pelas quais relutei em deixar a sala de aula para me tornar autor em tempo integral.

A primeira coisa de que um jovem escritor precisa é de um mentor que acredite em seu talento. Portanto, não tenha medo de pedir ajuda! Encontre um professor que você respeita. Entre em contato com outros autores. Você vai descobrir que um e-mail educado muitas vezes é respondido.

Em segundo lugar, leia muito! Leia tudo o que puder. Você vai refinar a sua escrita imergindo nas vozes, nos estilos e nas estruturas dos escritores que vieram antes de você.

Em terceiro lugar, escreva todos os dias! Tenha um diário. Anote histórias interessantes que ouviu por aí. Descreva as pessoas que vê. Não importa muito o que for, o importante é escrever. Escrever é como praticar esportes, você só vai evoluir se praticar. Senão, os músculos da escrita atrofiam.

Por fim, não desanime! Rejeição faz parte do processo, e dói. O truque é não desistir. Se quiser, forre as paredes do quarto com as cartas de rejeição, mas não desista.

Não, eles não foram criados para crianças e adolescentes. Eles tratam de situações adultas, têm palavrões etc. Não são piores do que um típico filme para adultos, mas eu não os recomendaria para leitores menores de 17 anos. De qualquer forma, nem sei se leitores mais jovens iriam gostar deles. São muito diferentes da série Percy Jackson e os olimpianos.

Na civilização ocidental, sempre tivemos uma mistura complicada de mitologia clássica e valores judaico-cristãos. Culturalmente, tendemos a acreditar em um único deus, mas também crescemos ouvindo essas histórias maravilhosas sobre os olimpianos. Enquanto as reconhecermos como histórias que fazem parte de nosso patrimônio cultural e que há muito deixaram de ser consideradas uma religião, não vejo mal algum em aprender mitologia. Na verdade, acho imprescindível aprender sobre os mitos gregos para entender de onde a nossa cultura moderna veio. É parte de ser um membro culto da sociedade.

O ladrão de raios explora a mitologia grega nos dias atuais, mas faz isso na forma de uma história de fantasia bem-humorada. Não tenho qualquer interesse em mudar ou contradizer as crenças religiosas de ninguém. Logo no início do livro, o personagem Quíron faz uma distinção entre Deus (com letra maiúscula), o criador do universo, e os deuses (com letra minúscula) gregos. Quíron diz que não quer se aprofundar na questão de Deus, mas não tem escrúpulos em discutir os olimpianos, pois eles são uma “questão muito menor.” Os deuses do Olimpo são arquétipos e estão profundamente enraizados no pensamento ocidental, são inseparáveis dele. O livro é uma homenagem ao legado do Olimpo como uma de nossas raízes.

A magia e fantasia do romance também são tiradas dos mitos gregos. É uma releitura moderna da saga do herói clássico. Meu objetivo é fazer as crianças se interessarem por mitologia grega. Se as pessoas querem censurar Percy Jackson alegando que ele retrata os deuses gregos como reais, vão ter que censurar uma boa parte do conteúdo das aulas de inglês em todo o país. A mitologia grega é muito estudada do primeiro ao oitavo anos, sem falar na Ilíada e na Odisseia, lidas pelos alunos mais velhos. A literatura em língua inglesa tem a mitologia grega como um de seus principais alicerces. Sempre foi assim, de Chaucer aos romances modernos. Percy Jackson faz parte dessa tradição. Espero que o livro faça as crianças lerem mais, que é o mais importante!

Como com qualquer livro, gostaria de encorajar os pais a lerem O ladrão de raios e decidirem por si próprios se é adequado ou não para seus filhos. Isso demanda tempo, eu sei, mas é a única maneira de tomar uma decisão bem-informada.

Sabe, quando eu estava escrevendo Percy Jackson e os olimpianos, não achei tão diferente de escrever um dos meus livros da série Tres Navarre. Acho que os leitores jovens querem a mesma coisa de um livro que os adultos: uma história em ritmo acelerado, personagens envolventes, humor, surpresas e mistério. Um bom livro sempre levanta perguntas e faz com que o leitor continue virando as páginas para descobrir as respostas. Eu não simplifiquei nada ao escrever O ladrão de raios. Não me preocupei com vocabulário, frase compridas demais ou o tamanho final do livro. Claro, eu tendo a escrever em frases curtas tanto em um quanto no outro, mas acho que seria um erro simplificar a escrita para os jovens. Eles odeiam isso. Querem ser tratados como leitores inteligentes e sofisticados, e quem pode culpá-los? Tomei cuidado para que o conteúdo fosse adequado — afinal, meu filho foi o primeiro leitor — mas, em relação à escrita, espero que Percy Jackson seja tão interessante para adultos quanto para adolescentes. Eu me esforcei para manter o livro interessante. Ensinei literatura por muitos anos e sei que as crianças ficam cansadas com descrições longas de páginas e mais páginas. Ficam entediadas com os livros que não parecem ter um enredo claro. E não acho que os adultos sejam muito diferentes. Talvez escrever um livro infantojuvenil tenha feito de mim um escritor melhor, porque me forcei a deixar meu texto mais redondo.

Enquanto eu estava escrevendo o livro, meu filho estava sendo avaliado por conta de problemas de aprendizagem. Ele tinha dificuldades para ler e se concentrar em sala de aula. Os professores achavam que era possível que meu filho tivesse TDAH e dislexia. Ele costumava ficar muito frustrado por não conseguir ler, e tivemos que explicar que todos aqueles testes serviriam para ajudar os professores a ajudá-lo, não para fazê-lo se sentir mal.

Como professor, trabalhei com muitos alunos com dificuldades de aprendizagem. Tomei parte em avaliações e testes e implementei mudanças nos meus métodos de ensino. Mas, de alguma forma, é diferente quando o seu filho está passando pelo processo. No fim das contas, inscrevemos Harley no programa Scottish Rite, que atende a crianças com dificuldades de leitura, como a dislexia. Ele está muito melhor agora, mas não foi um processo fácil.

Enquanto isso acontecia, li bastante sobre dislexia e TDAH. Eu gostei especialmente dos livros Keeping a Head in School e Driven to Distraction. Fiquei surpreso ao saber que o TDAH e a dislexia frequentemente surgem juntos. Os livros também confirmaram algo que eu já sabia: os disléxicos e as crianças com TDAH são criativos e vão além do lugar comum. Eles precisam ser assim, porque não encaram ou resolvem problemas da mesma maneira que as outras crianças. Na escola, infelizmente, às vezes são taxados de preguiçosos, desmotivados, mal-educados ou mesmo burros. Mas não são. Depois dos anos difíceis na escola, muitas vezes se tornam adultos bem-sucedidos. As empresas os amam, porque eles trazem ideias originais. Fazer Percy sofrer de TDAH e dislexia foi a maneira que encontrei de honrar o potencial de todas as crianças que possuem essa condição. Não é ruim ser diferente. Às vezes, é sinal de que se é muito, muito talentoso. Isso é o que Percy descobre sobre si mesmo em O ladrão de raios.

Toda nova série de fantasia infantojuvenil é comparada a Harry Potter e isso é inevitável. J. K. Rowling virou o padrão de referência de livros para jovens (e para adultos também, aliás).

Quanto às semelhanças entre Percy e Harry, eu diria que:

Em primeiro lugar, Percy Jackson e Harry Potter são semelhantes porque bebem das mesmas fontes de folclore e mitologia. Um menino descobre que é especial, treina suas habilidades e derrota um vilão para tomar seu lugar de direito no mundo é a história tanto de Harry quanto de Percy. Mas é também a história de Perseu, Teseu e Hércules, narrativas de mais de três mil anos de idade. A maioria do que as pessoas apontam como semelhanças entre as duas séries vêm direto da mitologia. A série Harry Potter usa folclore e mitologia de um jeito maravilhoso, mas J. K. Rowling não inventou esses elementos.

Em segundo lugar, Percy e Harry são garotos diferentes que vivem em mundos bem diferentes. O Acampamento Meio-Sangue está cheio de magia e mistério, sim, mas é bem diferente de Hogwarts. Percy e Harry têm passados diferentes. Eles não têm os mesmos problemas com os pais. Percy é um pouco mais indisciplinado do que Harry, eu acho. Ele está acostumado a ser rotulado como “bad boy” e foi expulso de inúmeras escolas (embora isso nunca seja só culpa dele). Harry tende a segurar seus amigos para que não entrem em uma briga. Percy tem mais chances de dar um soco na cara do valentão. Eles de fato têm semelhanças: ambos recebem um imenso poder e responsabilidades antes de estarem prontos. Ambos são corajosos. Ambos têm que enfrentar os seus piores medos e contam com um pequeno grupo de amigos leais. Mas suas histórias são bem diferentes. Acho que os leitores vão ver isso quando lerem O ladrão de raios.

Se eu espero que os leitores de Harry Potter gostem da minha série? Claro. Qualquer comparação com Rowling é um grande elogio, porque sou um grande fã de seus livros. Eu compreendo totalmente por que as crianças adoram Harry Potter. Não dá para superestimar o efeito desses livros sobre os jovens. Em meus anos como professor, nunca vi nada animar tanto os alunos quanto uma simples menção a Harry Potter. Às vezes eu entrava na sala de aula e encontrava os alunos imersos em A pedra filosofal pela décima terceira ou décima quarta vez, por livre e espontânea vontade. Eu dizia: “O livro é ótimo, mas você não se cansa?” O estudante sempre me lançava um olhar triste e respondia: “Sim, mas não tem nenhum livro tão bom quanto este.” Depois de ouvir isso por alguns anos, percebi que havia uma demanda por literatura infantojuvenil que impactasse as crianças da mesma maneira que Harry Potter. Decidi tentar fazer algo sobre isso. Eu conhecia bem os leitores. Sabia do que eles gostavam. O ladrão de raios foi o resultado desse trabalho. Se consegui ou não, vou deixar que os leitores decidam.

Os leitores jovens em especial gostam de fugir da realidade e visitar um mundo novo. É mais fácil ler sobre pessoas fazendo coisas incríveis como lançar feitiços e montar dragões do que sobre pessoas fazendo coisas comuns como ir à escola. Os adolescentes já conhecem essa vida. É bom fingir que você é outra pessoa de vez em quando.

Sim, eu fui para a Itália e a Grécia, mas só depois que terminei a série Percy Jackson e os olimpianos, o que é irônico. Não é preciso viajar para lá, no entanto, para apreciar as histórias da mitologia. Elas são universais.

Não ponho mensagens nos livros de propósito, porque meu trabalho é contar uma boa história, não pregar minha ideologia. No entanto, escolho temas da mitologia grega que ainda são discutidos no mundo moderno, e com certeza a relação do homem com a natureza é um deles. Sempre fui fascinado pelo deus Pã e sua morte declarada em tempos antigos. Parecia um tema muito relevante para os leitores atuais.

Percy tem o mesmo senso de humor que eu. Como ele, nem sempre fui um bom aluno. Percy também é baseado em muitos dos meus antigos alunos e na luta do meu filho contra o TDAH e a dislexia.

Passei a amar a mitologia nórdica na mesma época em que fui apresentado aos mitos gregos. Aos 13 anos, eu tinha um professor maravilhoso que me mostrou que O Senhor dos Anéis, minha série de livros favorita, foi baseada em mitos nórdicos. Eu finalmente consegui abordar esses mitos em minha nova série: Magnus Chase e os deuses de Asgard.

Eu esperava que os livros fossem fazer as crianças gostarem de ler, mas nunca previ tanto sucesso. Não foi da noite para o dia, nem recebeu tanta atenção no início. O ladrão de raios foi passado de criança para criança, de professor para professor, de pai para pai, e a série ficou mais famosa a cada livro. Foi mais no boca a boca. Tenho uma dívida especial para com os bibliotecários do Texas, que abraçaram os livros desde o início e os apresentaram aos leitores. Sem eles, duvido que a série tivesse chegado tão longe com tanta rapidez. Mas ainda tenho dificuldade em pensar em termos de milhões. Eu meço o sucesso por meio de histórias: o garoto que me contou que nunca gostou de ler até encontrar O ladrão de raios, o pai que me agradeceu por transformar a filha em uma leitora, a professora que contou sobre como Percy Jackson ajudou a unir seus alunos. No fim, é isso que importa para mim.

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